Monday, February 19, 2007

Brigitte II

Agora aquela Janis festeira de sempre tem que pisar no chão, são tempos difíceis. Tantas coisas para decidir, caminhos a se tomar e investir tempo e suor. Tantas coisas a se deixar de lado por uns tempos; conceitos inteiros. Ou não? Sempre tive medo deste momento.
Aquela sexta meus músculos estavam todos rígidos. Não tinha sido um dia bacana. Fiz outro horário, imaginei que seria uma maravilha, sairia cedo e faria tudo que nunca faço, porém o clima pela manhã lá na loja não ficou nada bom. Aliás, chega a ser patético como "cara-feia" me desestabiliza em certas situações; não entendo como posso.
A cidade estava um caos porque tinha explodido uma obra do metrô, peguei um transito horrendo, minha madrinha ia passar a noite em casa, tinha aniversário de dois amigos em lugares diferentes. Muita coisa. Comprei duas cervejas e sentei no sofá e fiquei olhando pro nada. Esperando. Não fiz nada aquela sexta.
Quando minha mãe chegou em casa com minha madrinha escutei mais uma vez sobre Brigitte. Fiquei feliz, mesmo escutando entre uma pérola e outra uns comentários...

“...mais ta veia hein. Mal-humorada que só...”
“... porque você viu a cara dela? Não sei como ela concordou...”


Não tinha jeito. Minha curiosidade em conhecê-la ainda permanecia, mesmo depois de tantos anos. Ela estava morando no Maranhão, há um tempo, e tinha vindo para São Paulo em uma “mega” exceção. Quando comentei com minha madrinha sobre a minha curiosidade eu já tinha perdido as esperanças de conhecê-la. Mas como uma boa “fada-madrinha” atendeu meu desejo e decidiu ficar mais um dia e trazer Brigitte para dormir em casa.
Elas foram me buscar lá no trabalho, no sábado.
Entrei no carro, olhei e vi Brigitte no banco de trás. Era loira como tinha imaginado, estava com uma expressão de irritação mal disse oi. Entendi que poderia estar cansada; “velha” como as duas tinham comentado. Olhei pras unhas. Vermelho. Batata! Combinando com a batom. No que dependia de mim, quando chegássemos em casa iríamos beber umas cervejas e comentar sobre loucuras dos anos 70; loucuras dela é claro. Entraríamos em papos profundos sobre música, lições de vida, talvez até minha mãe e minha madrinha entrariam no clima...
Chegamos em casa e lembrei que tinha tomado quase toda cerveja, cogitei ir comprar mais, mas achei melhor esperar. Bigitte entrou em casa, sentou no sofá maior e pediu para ligar a televisão. Estava cansada, reclamando do falatório e da demora na casa de uma das amigas de minha mãe...

“- Onde já se viu gente! Eu pensei que agente vinha pra casa descansar.”

“-...eu tava morrendo de sono, naquele lugar fechado e sem música, ou barulho sei lá...”

“-... porque ou eu tou na bagunça ou eu tou dormindo.”


Minha mãe e minha madrinha ensaiavam sorrisos, eu fui até a geladeira, peguei a cerveja que restava e num ato descolado ofereci. Brigitte respondeu que não e insinuou que não era muito fã. E por ai foi seguindo a noite, vários comentários sobre os anos 70: sobre quando elas saiam em emprestavam bolsas umas pras outras, sobre quando elas iam comer pizza no sábado, sobre o forrozinho sussa que rolava de vez em quando, sobre marmitas e, quando Brigitte saiu para fumar, sobre o mau-humor matinal de Brigitte. O mau-humor que eu sempre achava o mais divertido das histórias.
Eu estava calada há algum tempo quando extraordinariamente começou a tocar “Riders on the Storm” no filme que passava na tv. Dei um pulo do sofá e aumentei o som e exclamei “- Doors!”, imaginando uma reviravolta na conversa.
As três concordaram simpaticamente que não entendiam “dessas músicas em inglês...”.
Levantei-me, fui até a janela e voltei à realidade. Foi ai que me lembrei e admiti sem nenhum preconceito“- ELAS SÃO CAIPIRAS.” Brigitte também era do interior. O cigarro, batom vermelho, voz forte e mau-humor matinal era o começo e o fim da puta francesa. Apenas indícios. Bati coma mão na cabeça e sem ranço continuei na conversa.

1 comment:

Anonymous said...

uuuuuuuuuoooooooowwwwwwwwwwwww
rsrsrsrsrsrs