A primeira vez que ouvi falar de Brigitte foi em casa. Eu deveria ter meus 6 ou 7 anos, e estava chorando porque minha madrinha - que morava em Uberlândia na época e vinha em casa uma vez na vida e outra na morte – estava indo embora da minha casa depois de ter passado apenas uma noite, para ir visitar a Brigitte.
Este dia foi muito marcante, fiquei realmente triste, vi o quão “desimportante” e excluída eu era – estava sozinha no mundo, deixada até por quem dizia que se importava comigo. Dramas-hiperbólicos-desnecessários-pueris à parte, esse dia contribuiu muito para a minha aceitação da existência do mundo exterior. Junto com mais uma meia-dúzia de outras situações parecidas comecei a entender que eu não era o centro do mundo. Mas não falemos mais nisto. Voltemos a Brigitte.
A segunda vez que ouvi falar dela não me lembro. Sei que foi citada inúmeras vezes:
Este dia foi muito marcante, fiquei realmente triste, vi o quão “desimportante” e excluída eu era – estava sozinha no mundo, deixada até por quem dizia que se importava comigo. Dramas-hiperbólicos-desnecessários-pueris à parte, esse dia contribuiu muito para a minha aceitação da existência do mundo exterior. Junto com mais uma meia-dúzia de outras situações parecidas comecei a entender que eu não era o centro do mundo. Mas não falemos mais nisto. Voltemos a Brigitte.
A segunda vez que ouvi falar dela não me lembro. Sei que foi citada inúmeras vezes:
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“Ela que não respondia ‘bom dia’ pra ninguém, nem se dava ao trabalho de olhar pra cara das pessoas, até arranjava confusão por causa disso. Mas agente mais próximo entendia... Era daquele jeito e num ia mudar. Eu não ia ficar brigando por isso. Deixava pra lá mesmo...”
“...bebeu caipirinha a noite inteira e ficou jogando baralho...”
“Aquela é doida mesmo, agente ria...”
“Quem foi comigo no hospital aquele dia foi a Brigitte!”
“...ela chegou e mandou todo mundo ir a merda!”
“Ai... Brigitte, saudade...”
Durante anos da minha vida escutava as mesmas coisas, mas gostava de continuar ouvindo. Aquela figura estava se tornando minha "ídala". Imaginava-a como uma daquelas putas francesas, velhas e cheias de fumaça de cigarro, que sempre sabem o que dizer na hora certa, donas de si, de gargalhas só para os íntimos e de olhares enigmáticos que tudo sabem pois quase tudo já viveram. Queria encher a cara com ela como velhas amigas, e ela me contaria as histórias mais inimagináveis que eu ia tirar conclusões praticas sobre a vida e a alma humana.
E o tempo se passou e essa imagem cada vez mais se solidificava no meu subconsciente, principalmente quando soube que Brigitte fumava um cigarro após o outro.
3 comments:
E Elza a meia luz observava tudo, principalmente em seus sonhos o jeito de Brigitte no qual se inspirou e dividiu a cama, junto com a Capitu e seu olhar de ressaca...
nossa capitu hein...
essa foi longe, milênios que não escuto essa denominação.
bjo.
filha, vc nao vai mais atualizar este blog??? saudade de suas historias, saudade de ti tambem.
beijos
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