Thursday, September 15, 2005

antiguismos

Entrei no ônibus, passei a catraca e sentei no primeiro banco depois da cadeira do cobrador.
Uma mulher loira com a voz fanha conversava com o cobrador, ele de estatura mediana traços orientais e óculos prestava atenção em cada palavra do mulher.
- È um baixinho, magrinho de cabelo preto e rosto bem fino também... Sabe, tem um nariz pontudo, um jeitão de malandro.
- Ah! Acho que sei, é um que fazia a linha da tarde?
- Não, ele fazia esse horário mesmo que você faz, era baixinho, bem encrenqueiro...
- Hum! Sei quem é! Ele geralmente estava no carro do Osvaldo?
- Então, o motorista variava mas ele sempre tava lá. Um dia ele implicou comigo porque eu abri a janela e depois disso ficou me marcando sempre me olhava com cara feia.
- Sei quem é sim... Não gostava muito desse cara.
- Pois é menino, do dia pra noite ele sumiu e não vi nunca mais. Ele sempre ficava me olhando de cara feia, até que um dia ele tava fazendo o troco de outro passageiro, e eu peguei deixei o dinheiro encima da bancada do cobrador e passei a roleta. Ha! Mas não deu outra, eu tava ali sentada, o bicho veio gritando comigo dizendo que eu não tinha pagado, ai eu falei pra ele prestar atenção que estava lá o passe, ele me chamou de folgada porque eu tinha pagado com passe de estudante e disse que queria ver minha carteirinha. Eu virei e falei que não ia mostrar carterinha porcaria nenhuma e queria ver ele fazer eu decê do busão.
- E ai?
- Ai que o cunhado do meu marido tava no último banco, e ligou pro meu marido. E só gritou pro cobrador que ele ia se danar no ponto final. Meu marido nunca vai no ponto, mas aquele dia foi batata! Eu desci dei de cara com ele, e ele já veio me perguntando o que tinha acontecido. Eu respondi "nada", mas ele já tava sabendo e viu o cobrador descendo do busão e foi atrás dele. Chegou apontando o dedo na cara dele e falou: "E ai seu folgado, tava falando desse jeito com ela porque ela é mulher né! Porque você não bate de frente comigo agora hein? Hein?"
- Mas ele chegou a bater no cara?
- Não, o cara desconversou e foi saindo de mansinho. Ai ele disse: " É isso ai mesmo, vai saindo fora. Minha mulher vai pegar ônibus com você todo dia e se eu ficar sabendo que você pesou na dela denovo eu quebro a sua cara!" Ai, depois desse dia só peguei ônibus mais uma vez com ele, depois sumiu...
- È não gostava muito do cara. Mas acho que ele ficou com a linha do meio-dia...

Não sei, mas as vezes tenho a leve sensação de que os tempos de vovó também eram legais. È essa coisa da modernidade, feminismo tem uma parte legal, mas essa coisa de "você falou assim com ela porque ela é mulher, porque não pega alguém do seu tamanho" é legal também. Sabe alguém pra te proteger... è meio selvagem, mas ainda assim achei legal. Será que eu tou viajando? Ou melhor será que eu tou falando de feminismo e machismo? Acho que não. Acho que estou falando de companheirismo. È desconsiderem o que eu disse sobre os tempos de vovó, porque a coisa não é favorecer nem um lado nem outro, a coisa de tudo ser o mesmo lado e ser cúmplice.

3 comments:

Anonymous said...

o famoso "qualé mano, tá tirando de malandro?"
sempre é bom alguém que cuide e te defenda...mas tb pode ser prejudicial...
bj

Anonymous said...

Muniita, faz tempo q num venho fazer uma visitinha.
Essa semana tá estranha. Tô doente demais! Minha garganta tá de mal comigo!! Isso tem q passar ... temos um compromisso esse findi, mas num sei se vai rolar eu ir!! :(
Achei uma rádio legal no site da 97fm. Tem I Wish do Infected Mushroom ... psyyyzeira masterrrr!!!

Bjos, AMO VC! Fica brava comigo não! :)

Anonymous said...

eu entendiiiii....
alguém pra defender, cuidar... enfim.... é bacana.... rsrsrsrs
beijinhos